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quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

CAPIVARA.

 









 

 

Na beira do rio, seu habitar.

Mansa, sociável, brincalhona.

Não deseja guerra; só paz,

No sistema ambiental, é patrona.

 

 

Passeia entre perigosos predadores,

Com calma que lhe é peculiar.

Nenhum deles lhe causa dores,

Não porque a teme, mas por respeito especial.

 

 

Com ninguém ela discute.

Segue tranquilamente seu carma.

Sua calma natural repercute,

Cuja presença desarma.

 

Lá pelas bandas de Itabuna,

No Rio Cachoeira, a nadar,

A famosa marrom grapiúna,

Que nos leva encantar.

TUNIN//DEZEMBRO/2025.

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

SER NEGRO




Um potente ser humano.

Antes de tudo, um forte!

Não traz no peito, o engano,

Sofre atrocidades, sem temer a morte.

 

Negro não é palavra pejorativa,

Por mais que queiram insinuar.

É emoção e cultura sócio criativa,

Não fadado ao esmolar.

 

Ser negro é um estado de espírito,

Cruzado por instâncias político, social, cultural.

Tem no sangue o DNA erudito,

Cujo intelecto é arte cristal.

 

O negro é tão comum e igual,

Como qualquer existente raça.

Todavia convive feito preconceitual,

Sem perder sua força nem graça.

 

TUNIN//IOS,DEZ/2025.

 

 


sábado, 6 de dezembro de 2025

A MAGRICELA

Crédito: Tunin.


A MAGRICELA

 

Tardiamente aprendi pedalar,

Na praia do Norte do Ilhéus-mar.

Meu amigo Carlito, o professor,

Cuja docência merecia louvor.

 

Comprei minha primeira bicicleta,

Logo alcunhei-a de Magricela.

Nela me sentia um poeta,

E em cada esquina, via Gabriela.

 

Pedalar é sentir o vento,

Desalinhando seu cabelo,

E não perceber o tempo,

Que passa rápido e ligeiro!

 

Piso no pedal, fixo na frente,

A magricela corre firme e altaneira.

Garbosa, bonita e muito valente,

Com a elegância de uma dama faceira.

 

TUNIN//2025.

 


 

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

A ARACUÃ

 

IMAGEM DA INTERNET


Todo dia pela manhã,

Em caminhada habitual,

Ouço o canto da aracuã,

Em seu estridente gorjear.

 

                                                                 

Sua vocalização em dueto,

Ouve-se de lá da copa florestal.

É seu formal coreto,

De onde canta imperial.

 

Marca seu território,

Com graça e soberania,

Nada feito aleatório,

E com total autonomia.

 

Vou seguindo meu caminho,

Em meio à beleza sinfonia,

Medito e vibro sozinho,

Sentindo sua melodia.

 

E no frescor navegante da manhã,

Sob um sol tímido ao nascer,

Nada mais belo que o som da aracuã,

Para embelezar e aquecer.

Tunin//.

 

 

terça-feira, 21 de outubro de 2025

SERRA DA MANTIQUEIRA


Do pico do Itapeva, na serra da Mantiqueira,

Descortina-se rios, córregos, vales

Como se da janela de um avião,

Estivesse.

 

É um mar de araucárias, pinhos, jacarandás,

Ipês, quaresmeiras, bromélias e orquídeas,

Entre as flores, a mais bela!

É retiro da biodiversidade,

Onde espécies raras,

Sofrem ameaça do homem da cidade.

 

E nessa vasta e bela imensidão,

Há animais de grande e pequeno porte,

Entre flores, lagoas e casarão,

Está marcada sua sorte.

 

Tem a folha avermelhada do plátano,

Que no outono recebe essa coloração,

Ornamenta a principal avenida e,

Tornou-se símbolo de Campos do Jordão.

TUNIN//.

 

 

 

 


terça-feira, 23 de setembro de 2025

SORVETE

 




 SORVETE

 

Quem não gosta de sorvete?

De coco verde ou morango.

Chocolate e até limão,

Tapioca ou requeijão!

 

Sorvete não tem ocasião.

No inverno ou no verão,

Com o aconchego de um mozão,

Para fazer bem ao coração.

 

Sorvete de pimenta?!

Na Finlândia tem.

Pode parecer ardente,

Porém seu sabor, agrada a gente.

 

Sorvete de carambola,

De gosto especial.

Um banquinho e uma viola,

E um amor para amar.

 

TUNIN/ dia do sorvete,23.09.2025.

 

sábado, 20 de setembro de 2025

 

crédito da internet.





NO TRÊS ZERO DOIS

 

NASCI NUM TRÊS DE FEVEREIRO,

NUMA QUINTA, ÀS TRÊS DA TARDE.

CAVALGO SEMPRE O VERDADEIRO,

PARA QUE A ILUSÃO NÃO ME GUARDE.

 

O DESTINO, EM TOM CAPRICHOSO,

FEZ-ME HABITAR NO TRÊS-ZERO-DOIS.

SOU TALVEZ UM SER CRISTALINO,

COM MIL CORES, EM CANTOS DE LUZ.

TUNIN///.

domingo, 31 de agosto de 2025

SANTA INÊS DE ANTIGAMENTE ( UM POEMA-RELATO)

 

imagem da internet

As catadeiras de café,

Viajavam de pau de arara,

Agasalhadas e com chapéus,

Iam cumprir suas jornadas.

 

Quando alguém adoecia,

Convocava-se a rezadeira.

Esta com a sua rezaria,

Espantava a “doenceira”.

 

A cabocla Perola.

Que só vivia enfeitada,

Não era boa da cachola,

Sofria bullying da gurizada.

 

Lavadeiras acocoradas à beira rio,

Mãos calejadas da vida.

Suas mágoas em cantoril,

De emoção esvaiam.

 

“Lata d’água na cabeça”,

Labuta da aguadeira.

Do alvorecer até que anoiteça,

Sobe e desce ladeira.

  

Minha avó Ana, mulher rendeira,

Sabia os bilros manejar.

Dia e noite de canseira,

Para as grã-finas do lugar.

 

Doutor Emídio, médico familiar.

Olhava o paciente, previa a cura.

Pronto atendimento domiciliar.

Que ser humano! Que alma pura!

 

O intelectual Rogério Duarte,

Hábil moço ubairense.

Aqui encontrou sua arte,

Deixou-nos recentemente.

 

O saudoso trem de ferro.

Apitava com graduada mansidão,

Na altura do corte de pedra,

Levando um partido coração.

 

Cinema?! Tínhamos também,

Onde passeavam Romeu e Julieta,

Trocando juras do bem,

Na famosa historieta.

  

No tempo do chafariz,

Não tinha banho de chuveiro.

Na gamela ou na bacia,

E devia ser ligeiro.

 

Palacetes foram erguidos,

Por fidalgos em tempos áureos.

Ainda hoje, imponentes, na avenida,

Brilham olhos como láureos.

 

Nosso rio Jiquiriçá,

Ostentava seu vigor.

Com cardume de jundiá,

Fazia a alegria do pescador.

 

Pelas bandas da Lagoa Queimada,

Supunha ter cristal de rocha.

Seria a nossa Serra Pelada?

Sonho de toda cabrocha!

 

O caçador da madrugada.

Que valentão acostumado!

Encontrou onça pintada,

E ficou todo borrado!

 
 

A meninada brincava na rua,

Livre para correr e pular.

Sem asfalto, terra crua.

Hoje só nos resta lembrar.

 

As festas de carnaval,

No Clube Cultural,

Onde a moçada adorável,

Fazia seu festival.

 

Murta, jabuticaba, umbu.

Ouricuri, cajá, azedinha.

Manga, tamarindo e caju,

Sem esquecer a fruta pinha.

 

Fumo, sisal e café,

Diferencial econômico.

Um bom canapé,

Para um descanso dinâmico.

 

As serenatas pelas madrugadas,

Traziam o som menestrel,

Aos corações das namoradas,

Na voz da turma de Samuel.

 

 O Góes Calmon tradicional,

Colégio público da cidade.

Lá estudei a cartilha inicial,

Quando de tenra idade.

 

O juiz de direito, Dr. Hélio,

Homem de visão dimensional.

Junto com o promotor, Dr. Nélio,

Fundaram o Ginásio Comercial.

 

Usou as instalações obsoletas,

De um hospital inacabado.

E na evidência de suas facetas,

Viram o colégio inaugurado.

 

Abriam-se os festejos da primavera,

Com desfile pomposo.

E a molecada ansiosa, na espera,

Dos alegres dias de jogo.

 

Os jagunços e coronéis,

Protagonizavam horror.

Cada qual em seus papéis,

Não lhes importavam a dor.

  

Padre Gilberto Pithon,

Pároco de fé verdadeira.

Implicava com as festas profanas,

No dia da padroeira.

 

O parque atrás da prefeitura,

Fazia a magia juvenil.

O mini carrossel, que aventura!

Era o lazer infantil.

 

Grandes homens deu a terra.

Neste rincão enevoado,

Aqui representados por três feras*

Genésio, Aurélio, Manoel Valdo.

  

No café bar de Joãozinho,

Onde se ouvia voz e violão,

Entre uma sinuca e o cafezinho,

Cabia só exaltação.

 

Nos domingos de futebol,

Com belos e bons ataques,

Lá pelo cair do sol,

Todos aplaudiam seus craques.

 

Quanta coisa na memória,

Oh, Santa Inês resoluta!

Aos noventa e dois anos de história,

Um filho teu “não foge à luta”.

  

A. Roberto/ TUNIN - 26.10.2016. Ilhéus-Ba. 

Observação: Gostaria de citar todos os que fizeram história, nesta terra amada, mas pela impossibilidade e espaço, representei-os, apenas, por três.

Sr. Genésio é meu pai e foi o primeiro fiscal geral do município. 

Sr. Manoel Valdo, empresário, dono da farmácia Excelsior.

Sr. Aurélio, de tradicional família, dono de antiga loja de tecido.

* no sentido de competência.

 


MILHO AOS POMBOS

 

Pela manhã bem cedinho,

Um simples ser de boné.

Joga milho aos pombinhos,

Como se fosse um prazeroso café.

 

Chova ou faça sol,

Religiosamente lá está ele,

Sob a luz do arrebol,

Obedecendo ao que seu coração sugere.

 

As pessoas param; admiram a cena.

Os pombinhos ao seu redor,

Parece poesia em movimento,

Cuja beleza brilha como o sol.

 

Sigo o meu caminho,

De jornada matinal,

Com o espírito cheio de carinho,

E o coração livre ao fraternal.

TUNIN//.

 

terça-feira, 29 de julho de 2025

TERRA SECA

 


FIGURA BY TUNIN.

 

Terra que pouco chove,

É terra seca sem fim.

O caboclo sofrido comove,

Esperando o cheiro jasmim.

 

Seu olhar perdido no ar,

Aguarda no futuro a certeza,

De sentir na chuva beleza,

A terra com vida sulcar.

 

O chão chora rachado,

Porque água lhe falta.

Caminho estéril, espinho afiado,

Atravessa o pé sem piedade.

 

E assim vive o sertanejo,

Clamando por água jorrada,

Numa terra desertada,

Só Deus é companheiro!

TUNIN//.