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Vovó Ana gostava muito de animal. Ganhou de uma amiga um mestiço de poodle com vira-lata e deu-lhe o nome de Cherie. Não sei o porquê do nome. O lindo animal de pelo macio e brilhante era o cuidado da casa. Do menor ao maior, era o mimo.
Companheiro fiel de vovó em seus passeios pela pracinha da cidade, visitas a amigas e furtivas caminhadas pelo campo.
Vovó Ana com todo o seu jeito “adestradora” ensinou o cachorrinho como sentar, bater palmas, agradecer maneando a cabeça. Cherie aprendeu tudo direitinho.
A criançada ficava, na praça, ao redor do animal para se divertir com as peraltices do cachorro. Era um show, uma verdadeira graça!
Certo dia, numa dessas exibições, Cherie se feriu com um arame que estava numa espécie de cerca para proteger uma plantinha. O fio pontiagudo penetrou em sua pele fazendo jorrar sangue do seu dorso que coloriu todo o seu delicado pelo de cor branca.
Vovó ficou atônita! Cherie olhava para ela, choramingando, como se fosse uma criancinha sem proteção. Ela o acolheu em seus braços e a garotada, em posição de solidariedade, queria fazer algo para diminuir o sofrimento do bicho. Foi quando Paulino gritou:
- Vó Ana? Deixa eu levar Cherie ao Dr. Miguel? Ele cuida de animais! Imediatamente toda gurizada seguiu, em procissão, até a casa do doutor. Lá o veterinário examinou Cherie e com as suas mãos bondosas fez todos os curativos necessários.
De pronto, o animal sentiu aliviado e começou a fazer afago no colo da vovó. Foi um momento de grande alegria para todos! Vovó sentiu-se recompensada por não mais ver o sofrimento do seu mimado cachorrinho. Agradeceu a Paulinho a atitude cuidadosa dele, ao levar seu bichinho para o doutor cuidar. Bela ação de Paulinho!
No domingo seguinte, lá, na praça, estava vovó, a meninada e Cherie aprontando das suas para despertar a curiosidade de todos quantos estavam naquele lugar.
Vovó ficou atenta para não deixar Cherie perto de algum objeto cortante e, assim, evitar sustos desagradáveis. E a história continuou...