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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

A ARAPUCA


Pirâmide em miniatura,

Feita de cipó ou tiras de bambu.

Seu objetivo é aventurar captura,

De aves como sabiá, juriti ou jacu.

 

 

Posicionada no meio do agreste,

Enquanto o caçador fica à espreita,

 Olhos fixos, como a resiliência de um cipreste,

Sorri vitorioso, ao engaiolar sua presa.

 

A meninada no quintal se reunia,

Para brincar de armar arapuca.

E quando pronta, ficava a alegoria,

Corria para um gostoso banho no açude.

 

Era brincadeira ingênua infantil,

Visando o bicho cair na armadilha,

Nada de prática ou ação hostil,

Somente traquinagem e alegria.

 

TUNIN//ILHÉUS- BAHIA- JANEIRO/2026.

 

EM HOMENAGEM A MARIA JOSÉ OLIVEIRA SOUZA MOURA. QUANDO CRIANÇA, GOSTAVA DE CAPTURAR PASSARINHO NA ARAPUCA.



 

sábado, 10 de janeiro de 2026

A PRAÇA CAIRU

 





A praça Cairu, em Ilhéus,

Situa-se no coração da cidade.

Já foi assunto em quadrinha de cordel,

Cujos versos, espelham realidade.

 

Por tão próxima ao velho porto,

Marinheiros lhe pisavam o chão.

Como cisnes brancos em busca de pouso,

Nas meretrizes, aliviavam o coração.

 

Mulheres de vida não tão fácil,

Povoavam, com disputa, a região.

Abriam seu íntimo palácio,

Para aprazeirar o varão.

 

Lugar pragmático notável,

Assim mostra a Amada literatura.

Por ela, poetas choravam suas mágoas,

Sem perder o tom da cultura.

 

O trem de ferro cortava seu dorso,

Com elegância ao chegar à última estação.

Seu apito firme, e animoso com gosto,

No compasso do “café com pão”!

 

De ponto inicial de transporte,

A paisagem viu o progresso renovar.

Hoje, exibe-se grandiosa e forte,

Como florida rotatória do lugar.

 

TUNIN//Ilhéus/ janeiro de 2026.



segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

A PATINETE

 






Da noite para o dia,

Ilhéus amanheceu diferente.

Patinetes espalhadas pelas vias,

Inflando o ego da gente.

 

Voltei ao tempo de criança,

Da patinete feita de madeira.

Nela depositava minha confiança,

Ao deslizar pela ladeira.

 

Impulsionava com um pé no chão,

A moleca pegava o vácuo, em movimento.

Batia forte  o meu pleno coração,

Em meio ao audaz atrevimento.

 

Hoje, o veículo está moderno.

Elétricos, localizados por GPS.

Tem buzina, freio e até lanterna.

A gente usa e deixa onde quiser.

 

Nós, ilheenses, estamos animados,

Com o advento das charmosas patinetes.

Logo, ficamos apaixonados.

Como se fosse marinete.

 

TUNIN//ILHÉUS/ JANEIRO/2026.             

sábado, 3 de janeiro de 2026

O LICURI

 



 

O forte e pequeno licuri,

O coquinho ouro do sertão,

Encontrado em terras da Bahia,

Fonte de renda e solução.

 

Mulheres, velhos e crianças,

Na eira de sua casa,

Munidos de pedra, como lança,

Extraem o coco de sua casca.

 

A pancada da pedra tem ciência.

Não se deve valer de extrema força.

Usar da sábia e prática paciência,

Duas ou três pancadinhas têm valor.

 

O licuri é o cacau do sertão,

Dele tudo se aproveita.

Do óleo extraído, faz-se sabão,

Cujo resultado, gera receita.

 

Tesouro que a caatinga nos oferece,

Fruto desafiador da seca.

Símbolo de resistência floresce,

Se bate sol forte, não resseca.


TUNIN//IOS, janeiro/2026.

Também conhecido como Ouricuri.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

CAPIVARA.

 









 

 

Na beira do rio, seu habitar.

Mansa, sociável, brincalhona.

Não deseja guerra; só paz,

No sistema ambiental, é patrona.

 

 

Passeia entre perigosos predadores,

Com calma que lhe é peculiar.

Nenhum deles lhe causa dores,

Não porque a teme, mas por respeito especial.

 

 

Com ninguém ela discute.

Segue tranquilamente seu carma.

Sua calma natural repercute,

Cuja presença desarma.

 

Lá pelas bandas de Itabuna,

No Rio Cachoeira, a nadar,

A famosa marrom grapiúna,

Que nos leva encantar.

TUNIN//DEZEMBRO/2025.

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

SER NEGRO




Um potente ser humano.

Antes de tudo, um forte!

Não traz no peito, o engano,

Sofre atrocidades, sem temer a morte.

 

Negro não é palavra pejorativa,

Por mais que queiram insinuar.

É emoção e cultura sócio criativa,

Não fadado ao esmolar.

 

Ser negro é um estado de espírito,

Cruzado por instâncias político, social, cultural.

Tem no sangue o DNA erudito,

Cujo intelecto é arte cristal.

 

O negro é tão comum e igual,

Como qualquer existente raça.

Todavia convive feito preconceitual,

Sem perder sua força nem graça.

 

TUNIN//IOS,DEZ/2025.

 

 


sábado, 6 de dezembro de 2025

A MAGRICELA

Crédito: Tunin.


A MAGRICELA

 

Tardiamente aprendi pedalar,

Na praia do Norte do Ilhéus-mar.

Meu amigo Carlito, o professor,

Cuja docência merecia louvor.

 

Comprei minha primeira bicicleta,

Logo alcunhei-a de Magricela.

Nela me sentia um poeta,

E em cada esquina, via Gabriela.

 

Pedalar é sentir o vento,

Desalinhando seu cabelo,

E não perceber o tempo,

Que passa rápido e ligeiro!

 

Piso no pedal, fixo na frente,

A magricela corre firme e altaneira.

Garbosa, bonita e muito valente,

Com a elegância de uma dama faceira.

 

TUNIN//2025.